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domingo, 20 de julho de 2014

Ludicidade na educação infantil


1.TODA CRIANÇA GOSTA DE BRINCAR
  Ver uma criança brincando é uma delícia. Andam de bicicleta, empinam pipa, jogam bola na praça, pulam amarelinha, vão ao parque de diversões, pulam corda, fazem trava línguas. Elas podem  ser o que quiserem na sua imaginação , podem subir em árvores, brincar na lama , brincar de carrinho ou boneca , se sujar e não ter nenhuma preocupação, Jogam vídeo game com seu irmão ou com seu pai , torcem para seu time de futebol na frente da televisão.  Elas estão sempre em um mundo de aventura e diversão, um mundo mágico,  acreditam que tudo é possível e que todas as pessoas são boas.
“No faz de conta, há forte presença da situação imaginária; no jogo de xadrez, regras padronizadas permitem a movimentação das peças . Brincar na areia, sentir o prazer de fazê-la escorrer pelas mãos, encher e esvaziar copinhos com areia requer a satisfação da manipulação do objeto. Já a construção de um barquinho exige não só a representação mental do objeto a ser construído,mas também a habilidade manual para operacionalizá-lo.” (KISHIMOTO,1996,p.15).
  Ela dá vida a uma tampinha de garrafa, transforma uma caixa em uma casa, conversa com bonecas, luta com rolos de papelão. E, enquanto se diverte, também aprende e se desenvolve.
  Brincar contribui para o desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social da criança. Por meio das atividades lúdicas, ela forma conceitos, relaciona ideias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento.
  É correndo, pulando ou subindo em árvores que as crianças se desenvolvem tanto no aspecto quanto no conhecimento do mundo. Sem contar que as peripécias  de quem corre pra lá e pra cá acabam por si só sendo instrumentos importantes para o raciocínio, reflexo, aumentando a autoconfiança e, mais do que isso, contribuindo para a socialização.
  Um pátio, parquinho ou um gramado podem ser um bom espaço para brincar. Além de árvores, da caixa de areia e dos brinquedos tradicionais, como escorregador, balanço, gangorra e trepa-trepa, brincadeiras com bolas, bambolês e cordas são importantes, principalmente pela liberdade de movimento e contato com a natureza. A presença de espaço onde a criança possa descobrir, criar, experimentar é um bom caminho para o desenvolvimento da aprendizagem perceptivo-motora, da inteligência, das habilidades da leitura e da escrita e da formação de conceitos através de suas próprias experiências.
 O brincar acontece desde o nascimento, na relação do bebê com os pais, com seu corpo, com os objetos e com o outro. O próprio corpo constitui-se no primeiro brinquedo da criança: através dele, ela começa a conhecer, compreender, comparar, analisar e refletir sua relação com tudo o que ao redor.
 As brincadeiras devem ser exploradas ao máximo pelas escolas, especialmente de educação infantil. Na fase pré-escolar que toda a formação do ser humano é fundamentada. O brincar tem papel muito importante para essa formação, a criança brinca com o imaginário ,desenvolve o conhecimento, favorecendo a troca e o lado social.A criança aprende formas, cores, raciocínio lógico matemático ,linguagem oral e ciências, tudo com uma linguagem lúdica e atraente. Acima de tudo as brincadeiras ajudam a criar entusiasmo sobre o conteúdo a ser ensinado.
“As crianças ficam mais motivadas a usar a inteligência, pois querem jogar bem;sendo assim,esforçam-se para superar obstáculos, tanto cognitivos quanto emocionais. Estando mais motivadas durante o jogo, ficam também mais ativas mentalmente.”(KISHIMOTO,1996,p107).
 Assim como as brincadeiras, os brinquedos também podem ser instrumentos muito úteis na hora de ensinar:
Coordenação motora grossa, como corda, bola e bambolê;
Raciocínio lógico, como blocos, peças de encaixe e quebra-cabeças;
Desenvolvem a fantasia e a imaginação, como bonecas e fantoches.
  Para Piaget (1967), o jogo é a construção do conhecimento, principalmente nos períodos sensório-motor e pré-operatório, desenvolvendo a noção de casualidade, chegando á representação e á lógica.
 Os jogos de regras, que têm normas preestabelecidas e visam a um objetivo,são importantes na educação infantil. Eles exigem raciocínio, estratégia, antecipação de um resultado, comunicação,  espaço, limites, tempo e motivação. A criança, durante sua ação lúdica, percebe que, para atingir suas metas, precisa usar estratégias e raciocínio.
  Jogos com regras contribuem para o desenvolvimento pessoal da criança, já que possuem restrições, adequar-se a limites, cooperar, competir e lidar com diferenças e com frustrações: perder o jogo, por exemplo. É na percepção do outro que a criança começa a criar e respeitar as regras. Para que haja convivência com outra pessoa exige que se respeitem limites.
“Esse tipo de jogo recebe várias denominações: imaginativo, jogo de faz de conta, jogo de papéis ou jogo sociodramático. A ênfase é dada a “simulação” ou  faz de conta, cuja importância é ressaltada por pesquisas que mostram sua eficácia para promover o desenvolvimento cognitivo e afetivo-social da criança.” (KISHIMOTO, 1996,p.64).
  Entre as brincadeiras, o faz de conta merece destaque especial. Isso porque a brincadeira é na realidade uma atividade psicológica de grande complexidade. No faz de conta, a criança cria e experimenta papéis, experimentando outras formas de ser e de pensar. Dessa maneira, ela enriquece sua personalidade e adquire uma melhor compreensão de si própria e do outro. Além disso, nessas brincadeiras, a criança inventa situações que permitem entrar em contato com medos, conflitos e ansiedades. Assim, descobre meios de lidar com suas emoções e até de resolver problemas e conflitos. Além disso, o faz de conta ajuda a desenvolver a linguagem e a narrativa, assim como a imaginação e a criatividade.
   O jogo simbólico, é ferramenta para criação da fantasia, necessária a leituras não convencionais do mundo. Abre caminho para autonomia, a criatividade, a exploração de significados e sentidos. Atua também sobra a capacidade da criança de imaginar e representar outras formas de expressão. O brincar abre várias portas para que a criança tente resolver problemas tanto do presente, como do passado, e ao mesmo tempo permite que a criança faça planos se projetando para o futuro.
 “Bons professores usam a memória como armazém de informações, professores fascinantes usam a memória como suporte da criatividade. Bons professores cumprem o conteúdo programático das aulas, professores fascinantes também cumprem o conteúdo programático, mas seu objetivo fundamental é ensinar a serem pensadores e não repetidores de informações.”(CURY,2003,p.68,69).
  A utilização das brincadeiras com o intuito de educar é preciso estudo e planejamento por parte da escola e do professor. O professor precisa fazer adequações e modificações no que se pretende ensinar. Ao propor uma brincadeira ou jogo de caráter pedagógico, o professor deverá analisar as possibilidades de utilização em sala de aula e também adotar critérios para analisar o valor educacional das atividades que deseja trabalhar. O objetivo fundamental dos professores é ensinar os alunos a serem seres criativos..